Eduardo Costa

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Carnaval, cerveja e perplexidade

21/02/2020 às 04:54

O Brasil ama cerveja, bebe muito, o ano inteiro, mas, principalmente no Carnaval. E, no momento em que a folia começa, divido pensamentos em preocupação com a segurança de tanta gente nas ruas, uma gigantesca torcida para que as pessoas sejam felizes pelo menos quatro dias e uma pulga atrás da orelha que atende pelo nome de Baker. 

É natural que, quando o assunto está na boca do povo, profissionais de imprensa sejam questionados. É o sentimento de que, por estarem perto dos fatos, formem um juízo a respeito.

Esquecem os caros ouvintes, leitores e telespectadores que “o jornalista é aquele que fala sobre tudo sem saber de nada”, ou, alguém que trata dos assuntos com certa superficialidade porque não tem tempo, não vai e nem pode descer a detalhes do objeto da notícia. Exemplo: se há suspeita de intoxicação por pessoas com determinado alimento, o repórter não conhece o processo de produção, não tem detalhes de exames, nem intimidade com as vítimas ou familiares e, claro, não tem o dom de conhecer as intenções de todos os envolvidos.

O caso Baker é um dos maiores redemoinhos que já passaram por minha cabeça. 

Quando, na noite de domingo, o WhatsApp disparou mensagens de alerta, pensei: “Boato irresponsável”.

Quando a polícia entrou no caso, espanto.

Quando o Ministério da Agricultura chegou, assombro.

Quando ouvi a proprietária, dúvidas, quase uma convicção de boas intenções e o aumento da torcida para que tudo terminasse bem.

Quando conversei com uma vítima e parentes de outras, uma emoção desconcertante: a filha que quer exumar o corpo da mãe para consumar o crime, a filha de um taxista que não se conforma por ver o pai cego e um vendedor de carros que, um ano depois de tomar a belo-horizontina na praia, meses de hospital, hemodiálise e consultas, ficou com mobilidade e visão prejudicadas. E, o pior, a fala também... A fala do vendedor. Mas, ele sofreu tanto que se considera alvo de um milagre.

Quando conversei com o delegado e o legista, embora eles não tenham dito – ao contrário, pediram para evitar conclusões apressadas – fiquei com a nítida impressão de que o resultado do inquérito vai apurar responsabilidade da empresa. 

Que tristeza! Pelas vítimas, os parentes, os clientes, a empresa... Ah, e os amantes da Baker... Quantos eu conheço, um deles o repórter Osvaldo Diniz, apaixonado pela “loura gelada” genuinamente mineira...

Respondo aos questionamentos com a mesma dúvida de todos. E, antes de dizer o que acho lembro uma frase enviada por ouvinte dos mais fiéis, Haroldo Jackson: 

“Não é conselho, mas, opinião de um ouvinte desde o início de sua carreira, o que demonstra minha credibilidade em você: continue prudente; calma e canja de galinha não faz...”

CONTINUE PRUDENTE. CALMA E CANJA DE GALINHA NÃO FAZEM ....

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